


Será a sina dos artistas populares, o anonimato?
Trabalhos artísticos de grande desenvoltura e dignos de respeito perdem-se nos
particulares espaços de seus criadores, sem que as pessoas possam admirá-los.
Mas, o que há de tanto interessante nos trabalhos
artísticos dos artistas populares? De maneira geral, como disse Ferreira Gullar
“A arte é necessária por que cansamos da realidade”, precisamos dela para
tomarmos fôlego e voltarmos para vida, seja arte qual for, conforme a apreciação
de cada um; especificamente, os artistas
populares, geralmente, retratam em suas obras a fidelidade de suas concepções,
ainda não estão impregnadas com o processo de massificação ou politização que
direciona os trabalhos dos artistas já reconhecidos.
Sob esse aspecto, esta é a conduta e a condição do
artista plástico de várias expressões: telas, cartoons, contos infantis e
policiais, Augusto Pereira, o qual concedeu uma entrevista ao “passado e agora
presente” e que falou um pouco sobre sua trajetória artística que,
infelizmente, ainda não teve o reconhecimento devido, mas que continua sendo
criada a todo vapor.
Nascido em Belém no final da década de 50, criado no bairro do Guamá,
filho primogênito e o irmão velho de quatro irmãos, Janp, como gosta e assina
seus trabalhos, não tem a formação escolar, que talvez, alguns acreditam
necessária que um artista deveria ter.
Contudo, apesar, infância em dificuldades econômicas,
Augusto envaide-se em afirmar que sua genitora conseguiu passar-lhe o
necessário para tivesse uma juventude sem traumas.
Acredita ele que seu dom sempre esteve presente desde
a infância, suas ideias fluíam em sua cabeça e teve a coragem de passá-las para
o papel. Na verdade, Augusto já teve seu trabalho divulgado numa exposição no
CENTUR, não obstante, a continuação da divulgação esbarrou no problema de incompatilidade de estilo com os divulgadores, uma pena. Porém, sua satisfação foi para ele indescritível
ao ver as pessoas olhando o mural onde estavam expostos seus trabalhos. Pensando nisso, “passado e agora presente” não perdeu
tempo em convidá-lo para expor seus trabalhos aqui mesmo no blog. Você poderá
contemplar o trabalho deste incrível artista em postagens mensais. Desfrute
abaixo o conto “Os primos da onça” e aguarde as próximas postagens.
Os primos da onça
Nossa história se passa em um
lugarejo distante, mais bem distante mesmo, lá onde se pode dizer que Judas
perdeu suas botas e o “bicho feio” perdeu seu cachimbo.
Seu Miguel, um nativo da região, mora com a esposa e mais cinco filhos
pequenos, o mais velho tem oito anos. Sua esposa Elza era uma morena daquelas
pra ninguém botar defeito. Essa beldade fazia o maior sucesso quando tomava
banho no igarapé, pois fazia isso sem calcinha.
Bom pai e um marido dedicado, seu Miguel saía toda manhã para caçar,
fazer farinha e só retomava à tardinha.
Certa tarde quando estava descansando na frente de sua cabana, após
retornar de uma caçada, não se sabe de onde surge Jacinto Dores, um primo bem
distante de seu Miguel. Jacinto trazia uma rede de dormir em baixo do braço, parou
na frente do primo e falou.
- Alô primo Miguel! Como vai? Faz tanto tempo que não te vejo homem. Como
está sua vida?
Miguel levantou e respondeu ao primo:
_ estou indo bem, tenho esta cabana, a Elza, as crianças, caço, faço
farinha, estou levando. E você Jacinto, o que faz da vida?
- Bem primo, fiquei viúvo e tenho uma filha de 17 anos, moramos em uma
cabana não muito longe daqui. Sabe primo, ando meio adoentado. De uns tempos
pra cá me deu uma friagem no ossos, estou me sentindo muito cansado, sabe como
é. Não estou podendo trabalhar. Respondeu Jacinto.
Vendo a situação do primo, Miguel se compadeceu e disse:
- Bom primo, o senhor pode ficar aqui por uns tempos até melhorar, se
quiser pode trazer sua filha.
Jacinto ficou muito feliz com a oferta.
- Muito obrigado primo! Eu ficarei com muito prazer, mas minha filha se
recusa a sair da casa onde viveu com sua mãe.
- Está bem, primo Jacinto. Mas toda vez que voltar de uma caçada eu
passarei por sua cabana e deixarei alguma coisa para a menina.
E assim fizeram.
Jacinto passa os dias deitado descansando, comendo e bebendo, enquanto
Miguel sai todo dia para caçar e fazer farinha.
O primo era bem tratado por Elza, mas alguma coisa começou a mexer com o
homem por dentro, principalmente quando ele via os seios de Elza. Aquilo
começou tomar forma dentro de sua cachola e já´era difícil ficar sem pensar na
mulher do primo, naquela “morena gostosa”, que passava o dia pra lá e pra cá.
Numa certa tarde chuvosa, enquanto as crianças brincavam e tomavam banho no igarapé, Jacinto não se conteve, e quando Elza foi lhe servir café eleargarrouma morena e sapecou-lhe um ardente beijo que foi correspondido apaixonadamente.
Qaundo deram por si, estavam rolando nus pelo chão da cabana. Daquela tarde em diante aquilo se tornou vício. Era só Miguel sair que os dois tocavam os meninos para o igarapé e passavam o dia atracados na rede, na cama e também pelo chão.
- Oh, primo Jacinto! Estou louca pelo senhor. Falava Elza.
- Eu também não consigo ficar sem você. Elza! afirmou Jacinto.
Quando Miguel chegava das caçadas, os dois fiziam de conta que nada estava acontecendo nos ossos, mas o inocente primo sempre dizia:
- Não se preocupe primo. Pode ir ficando o tempo que quiser. Você não pode trabalhar com essas dores.
Numa noite, enquanto Elza preparava o jantar, os dois conversam.
- Sabe primo, há dias que estou notando que a caça está ficando difícil. Ontem encontrei uma pegada de onça e acho que é está disgramada que está espantando os outros animais. Comentou Miguel.
- É primo, ojeito é agarrar o bichão. Aí as caças voltam. Sugeriu Jacinto.
- Qualquer dias desses vou atrás desse bicho. Afirmou Miguel.
A cada dia que se passa a onça afasta mais as caças, tornando difícil a vida de Miguel.
A cada dia que passa a onça afasta mais as caças, tornando difícil a vida de Miguel. Mas, na sua ausência, as coisas na cabana iam de vento em poupa entre o primo vida boa e morena gostosa.
Até o mais inocente dos mortais que morava no vilarejo sabia que a bela morena plantava uma tremenda peruca de touro na consciência do bondoso marido.
Certa noite, Miguel chama o primo para o lado e fala:
- Tomei uma decisão primo, hoje à noite eu vou caçar essa maldita onça. Talvez eu não volte, por isso quero que você me faça o juramento de tomar conta da Elza e das crianças, caso aconteça o pior.
- Que isso primo? Você é forte como um touro. Não deixará se apanhar pela onça. De qualquer forma, eu juro fazer o que você pediu. Finalizou o primo pilantra.
Miguel se despediu da esposa, do primo, dos filhos e partiu rumo à mata.
Amanheceu, entardeceu e nadica de nada de seu Miguel voltar da mata.
A vizinhança já estava fazendo uma zoeira em frente à cabana de seu Miguel, todos lamentando a "sorte" do homem.
foi aí que um dos vizinhos falou:
- Vamos fazer uma patrulha para procurar nosso amigo. Temos que saber o que aconteceu.
Então os homens se reuniram e iniciaram uma busca que durou a noite toda, e já pela manhã o chefe da patrulha concluiu:
- É gente , não encontramos nem seu Miguel e nem a onça.
Elza chorou muito, já se sentia viúva. Pois, ela jura pela fé da mucura , que seu Miguel nesta altura do campeonato já descansa tranquilo na barriga da onça.
Bem, a vida continua.
Primo Jacinto continua com a sua boa vida, comendo, bebendo e desfrutando da morena. Porém, aquilo que seu Miguel tinha caçado, começava a acabar.
Certo dia é acordado aos gritos por Elza aos gritos.
- Acorda homem! Você tem que ir caçar e fazer farinha, eu não quero passar fome com meus filhos!
Mas meu amor, eu estou com friagem nos ossos...
Jacinto não tem tempo de terminar a falar. Elza vai logo calando sua boca.
- Deixa de conversa fiada, homem! Comigo não cola. Pensa que não sei que essa história de doença é papo furado que você inventou pra enganar o trouxa do seu primo? Vamos, pegue a a espingarda e só volte com um belo coelho do mato.
Jacinto não teve alternativa, pois era doido pela mulher do primo, e partiu rumo à mata. A noite chegou e Jacinto voltou com a caça, a farinha e o corpo todo moído. Quando se preparava para durmir. Elza veio falando:
- Nada de durmir. Vamos fazer amor!
atracaram-se e ficaram a noite toda ao bel prazer. De manhã Jacinto estava bastante estafado, mal conseguia abrir os olhos quando escuta:
- Vamos homem. Tá na hora! Pegue a arma e já pra mata.
Jacinto lembrou0se do primo morto e do juramento que fez, pegou a arma e partiu novamente para a mata.
À noite, conversando com Elzaperguntou:
- Elza você não fica curiosa de saber o que aconteceu com o primo Miguel?
- Pra mim ele não pertence mais a esse mundo dos vivos, você sabe né, quando uma onça pega não sobra nem o cabelo. Mas isso não importa, venha cá!
Falando isso a fogosa morena se atracou em Jacinto levando para cama. Assim era Elza insaciável. Qualquer hora era hora de fazer indescência. Seu Jacinto andava esgotado de tanto trabalhar e satisfazer os desejos sexuais da mulher, já não tinha prazer de voltar para casa, não podia durmir, sua vida se tornou um inferno. Logo ele sempre gostou de vida boa. Até sua cabana havia sido presente do seu pai de sua finada esposa, era seu sogro que sustentava a casa enquanto sua filha ainda era viva, depois que ela morreu o homem não deu mais nada e foi ai que Jacinto teve a idéia da doença para viver à custa do primo.
Jacinto não podia para nem para pensar, seus pensamentos eram sempre interrompidos pelo chamado:
- Vamos homem! deixe de moleza, deite aqui comigo.
Ou então:
- Pegue a arma e vá para mata.
Jacinto não tinah paz, mas ainda gostava da negona e queria cumprir a promessa que fez ao primo, era um pilantra mas amava Elza e não queria faltar com a palavra e isso estava acabando comele, pois agora estava realmente ficando doente, mas Elza não estava nem aí pro seu sofrimento.
- Já pro mato! Hoje eu qwuero comer uma paca bem assada. Rápido homem. Você está ficando molenga! Gritava Elza, e Jacinto obedecia a morena seguindo seu caminho
Jacinto estava tocaindo uma paca quando é surpreendido, quase desmaia com o que viu na sua frente. Não, não estava enganado. Era o primo Miguel!
"Égua! O homem não morreu! " pensou Jacinto.
- Não fique assim primo. Sou eu mesmo, não é um fantasma. como vai você? Elza e as crianças? Perguntou Miguel.
- Elas estão bem, quem não está bem sou eu. Mas o que aconteceu com você? Indagou Jacinto.
Bem primo, em primeiro lugar, eu deveria acabar com a sua vida e da desgraçada da Elza pelo que vocês fizeram comigo.
Foi como um violento bofetão na cara de Jacinto.
"Então o primo sabia de tudo" pensou o pilantra.
Miguel continua a falar.
- Você não sabe como eu me sentir vendo vocês rolarem atracados pelo chão da minha cabana, mas você já tem o que merece, pois só um homem como eu aguentava viver com Elza. E pela sua cara se vê está para "desbundar" de tanto trabalhar e fazer sexo.
- Mas onde você estava? Todo vilarejo saiu à sua procura! Perguntou Jacinto Dores.
- Depois que eu vi vocês juntos, eu quis dar uma sumida, como tinha a história da onça aproveitei. Saí para caçar e peguei a danada, apaguei as pistas e fui me esconder, você queria ficar com minha mulher e eu lhe dei uma mãozinha. Eu tenho pena de você. Nunca foi acostumado a trabalhar e do jeito que Elza faz sexo, cedo vai bater as botas. Bem eu vou embora, aqui dentro tem um presente pra vocês.
Dito isso, seu Miguel tira de dentro de um saco que trazia nas costas, uma pele de onça e um colar de dentes e diz.
- Tome! leve essa pele para aquecer a cama de vocês e esse colar é para o pescoço da Elza, são dentes da onça que saí para caçar. Agora eu tenho que voltar para sua cabana, era lá que estava escondido. Sua filha me abrigou e nós tornamos amantes, ela está esperando umfilho meu. Agora você, volte pra Elza, ela tem muito trabalho para você.
FIM
Autor: Augusto Pereira.


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